Por quê

Conectando projetos e pessoas em prol de cidades mais seguras

Por que precisamos falar sobre cidades seguras e inclusivas em termos de gênero?

Apresentamos aqui alguns depoimentos de mulheres que sofreram algum tipo de assédio ao transitarem por espaços públicos.

 

 

Todos os depoimentos apresentados nesta página foram coletados para e pela nossa iniciativa parceira RuaMaria55.

Você tem alguma história que possa nos ajudar a contar porque devemos falar sobre cidades mais seguras para todas? Clique aqui e deixe seu depoimento na página do projeto parceiro RuaMaria55.

M.S

"Eu tava no ônibus. E eu tava encostada na porta com a bolsa na minha frente. Um homem que entrou junto comigo passou a mão entre a bolsa e o meu corpo e apertou, apertou a minha região íntima! Quando ele passou a mão em mim, eu dei uma cotovelada nele com tudo assim e falei “você tá com problema? Qual é teu problema? Que que você pensa que você é?”. Nós esperamos a guarda municipal e fomos pra polícia fazer os depoimentos. Ele deu o depoimento dele negando. Mas ele já tinha antecedentes de assédio e furto. Resumindo, ele foi liberado no mesmo dia."

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das mulheres entrevistadas já desviaram o caminho por causa de uma rua escura. -ActionAid, 2016

C.B

"Eu gosto muito de correr, na rua, no parque. Mas começa a escurecer, e eu sei que não pode. Você passa, é no posto que mexem com você, o cara no carro, de bicicleta, é o cara no ponto de ônibus, não dá pra andar. E escureceu, não tô falando 8, 9 horas da noite, tô falando 6 horas mesmo, no inverno. Então eu não posso correr. Se eu for correr, eu tenho horário. Daí eu fico programando o meu dia, pra poder sair até às 5 horas da tarde e poder fazer exercício."

G.L

"O que eu aprendi com isso tudo, é que esses caras não tem medo de nada, porque nunca aconteceu nada com ele, nunca ninguém fez nem vai fazer nada. Esses caras não tem medo nenhum enquanto a gente tem medo o tempo todo e nem percebe mais.”

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mulheres têm medo de andar de noite, sozinha, na rua. - Instituto Locomotiva, 2018
Mulheres com medo de andar de noite na rua... 80%

R.Z

"Hoje em dia eu evito muita coisa, já não ando com roupa muito aberta, sempre cuidando com horários, não gosto de sair de casa à noite. Antes por causa da faculdade eu não tinha muita escolha e tinha que andar um trajeto compridinho a pé, sozinha à noite, e eu andava no meio da rua, literalmente no meio da rua, se caso, sei lá, chegasse alguém, e sempre de coque, nunca rabo de cavalo, bolsa colada no corpo. Se eu pudesse, também andava com uma chave ou alguma coisa pontiaguda na mão."

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"Já aconteceu também, de eu estar voltando do colégio a noite e o cara vir de carro do lado e ficar oferecendo carona e insistindo. E depois que o cara vai embora, você ainda fica com medo dele voltar e acontecer qualquer tipo de coisa, porque você tá ali né, e sempre com roupa normal de colégio, calça, camiseta e blusa, normal."

56% das mulheres entrevistadas têm muito medo de serem vítimas de assalto/sequestros nas ruas – dos homens entrevistados, 40% dizem sentir muito medo. No caso de medo de serem vítimas de estupro no espaço público, 58,5% das mulheres dizem sentir muito medo ou pânico – para os homens, apenas 1,2% têm o mesmo sentimento. 

Trabalho de Conclusão de Curso de Arquitetura e Urbanismo – Laís Leão, 2016.